terça-feira, 25 de abril de 2017

Um dia parado

Parecia que iria ser mais um desses dias cansados de aula, daqueles que demoram a passar e está todo mundo cheio de preguiça. Escrevi uma ativade no quadro e fui até a porta da sala, pois a outra professora estava me chamando.

- Professora, posso beber água? - Fui interrompida no meio do caminho por uma aluna.

- Pode sim, vá rapidinho. - eu disse.

Cheguei perto da minha colega de trabalho e ela começou a dizer como estava quente a sala, parecia que não ia render nada esse dia, até as crianças estavam estafadas... 

Minha aluna voltou e ficou parada ao nosso lado.

- Oi Ana. Pode entrar na sala. - falei. Ela balançou a cabeça dizendo que não. - O que foi? - perguntei, mas ela não disse nada, apontou para boca. - Engula a água Ana. - Ela negou novamente e repetiu o gesto. - Pois então vá cuspir. - Ana encolheu os ombros e foi até a pia com ar de frustração. Enquanto isso alguns meninos começavam a se agitar na sala, vindo até mim para dizer "terminei" ou "posso beber água?". Ana voltou e ficou ao meu lado, foi quando Lucas gritou: 

- ELA PERDEU UM DENTE PROFESSORA!!!!!!

- Cadê? Me mostra a janela Ana! - Ela abriu o sorrisão e mostrou o dente na mão. - Que beleza hein! Caiu um dente de leite! 

-ELA TÁ BANGUELAAAAAAAA!!! -gritou Lucas, rindo, deixando a garota com vergonha.

- Qual o problema Lucas? Todo mundo fica banguelo um dia, depois nasce. - falei.

- Eu não! Todos os meus dentes estão aqui na boca.

- Por enquanto né...

A tarde foi passando, as crianças se agitando e aquele calor cansado que não passava. Parecia que quanto mais quente, mais eles corriam, e eu virei um disco arranhado na frase "senta Lucas e João. Parem de correr os dois. Senta Lucas e João. Parem de correr os dois..."

Cansei de falar, resolvi sentar e ajudar individualmente alguns alunos a terminar a tarefa. De repente chega Zé:

- Professora! Lucas tá chorando! João bateu nele!

Olhei na Direção de Lucas, e um grupo se formava ao redor enquanto ele chorava copiosamente. Levantei, já pensando no "eu avisei para não correr..." que iria soltar, quando vi sangue, muito sangue! O sangue escorria pelo pescoço e descia na camisa do menino.

Sempre imaginei que ficaria extremamente nervosa numa situação dessa, eu odeio sangue. Até quando vou fazer exame eu fecho os olhos. Mas não fiquei, na verdade eu quis rir, isso porque João estava mais nervoso que o acidentado, e tentou estancar o sangue com uma bola de papel (de caderno), ele olhava para mim e perguntava: "vou ficar de castigo tia?" enquanto colocava a bola no rosto do colega.

Bem, peguei Lucas pela mão e o levei para coordenação. Limpamos o sangue e...

Eu sei o que vocês estão pensando "o dente dele caiu". Eu também pensei nisso, mas ele bateu foi o nariz, e parecia uma cachoeira sanguinolenta que não deixava eu ver onde estava machucado. Depois de limpo ele sentou-se e ficou quietinho (por 10 minutos).

*Moral da história: rir dos coleguinhas não é legal, pois você pode se dar mal.


Aline Antunes

-Os nomes das crianças foram modificados a fim de preservar a identidade das mesmas.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

A falta de leitores


A leitura é um poço profundo de onde o indivíduo pode tirar ideias. Essas águas de múltiplos pensamentos quando derramadas sobre o solo do coração são capazes de florescer mais conhecimento, esse por sua vez gera mais empatia se cultivado do jeito certo.
Então é preocupante a dificuldade de encontrar leitores. Não qualquer leitor, mas aqueles dispostos a conhecer tudo, seja pelos olhos da ficção ou da crua verdade.
Encontrar um leitor é difícil, porque a leitura é libertadora e nem todos querem ser libertos. Afinal de contas, se manter na ignorância é mais fácil, esperar que terceiros lhe deem a resposta é mais fácil, permitir que alguém lhe guie é mais fácil, só que a ignorância também é o caminho mais fácil para se perder.
Ler é conquistar mundos que já foram ou que poderiam ser, se perdendo nessas histórias para se encontrar um pouco nas suas personalidades, é ser levado a aprender construindo, desconstruindo e reformando conhecimentos adquiridos ao longo da História, das experiências e da imaginação.
Portanto, ler não é uma tarefa simples, porque exige desejo de conhecer, vontade de mudar o mundo e força para aguentar a realidade de que leitores estão em falta.

Lis Regina.