sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Reflexão sobre meu primeiro ano como professora

   
     Essa semana completou 1 ano que eu sou professora titular de sala. Dia 23/02/2015 foi a minha primeira aula. Acho que esse foi o ano mais rápido da minha vida. 
     Entre eu assumir o concurso e começar as aulas foi só uma questão de dias, não deu tempo de pensar muito sobre essa decisão que a vida tomou por mim, eu praticamente cai de para-quedas na sala de aula; mal sabia o que deveria fazer lá, o que poderia fazer (muito importante). 
     Durante os primeiros dias eu estava em fase de adaptação: que tipo de professora eu seria; que tipo eu deveria ser; e que tipo eu poderia ser. O "poderia" parece sem sentido, mas é importante lembrar que num ambiente escolar nem sempre você pode ser aquilo que você quer, muitas vezes você deve se moldar à escola.
     Bem, passados alguns meses eu fui conquistando meu lugar e descobrindo o que era possível fazer. Percebi que eu era livre para dar a aula como bem entendesse, contanto que: as crianças estivessem em silêncio e me obedecessem; eu seguisse os projetos que a escola queria, com uma apresentação ao fim (vou ter que falar sobre isso algum dia) e ao final do ano elas estivessem lendo e escrevendo. 
     A liberdade tem um limite. Mas a verdade é que eu fiz muito do que quis fazer. Só que nem sempre eu soube o que deveria fazer, precisei de ajuda várias vezes. O curso de pedagogia é uma ilusão, já nas aulas eu percebia a diferença entre o que se falava e o que se observava, claro que nem tudo foi em vão, mas dentro da escola eu aprendi bem mais com as professoras mais experientes do que com muitas aulas que tive no curso. Ninguém me ensinou como eu deveria lidar com uma turma super agitada, com duas crianças -possivelmente- com TDAH, e uma disparidade enorme no nível de aprendizagem. Ninguém me ensinou também a lidar com uma criança que chega triste porque a mãe não se importa, ou suja, sem material... Ninguém me disse o que eu deveria fazer quando uma criança chorasse nos meus braços por causa de problemas em casa, muito menos quando um aluno se mostrasse agressivo.
     Eu sei dizer que atividade fazer e como fazer para cada nível de escrita em que a criança se encontra, foi uma das coisas que aprendi nos 4 anos de pedagogia. Mas quando eu entrei na minha turma, esse conhecimento não valeu de nada, porque eu não poderia fazer 1 atividade pensando num único nível. E porque a aula é mais do que a atividade, e porque o professor é mais do que aquele que ensina. 
     A verdade é que passei meses para perceber o ritmo da minha turma e organizar uma rotina que fosse eficiente; engraçado que hoje a nova professora deles veio dizer: "menina, eles fazem a atividade muito rápido!Eu tenho que mudar o planejamento!". Realmente era uma turma muito rápida, por isso eu precisava fazer mil coisas no dia, e por isso eu demorei tanto para me adequar a eles: no curso de pedagogia as crianças ficam sentadas quietas.
     Durante esse meu primeiro ano eu usei muito mais meu instinto que meu conhecimento acadêmico, na convivência com essa turma tinha muito do meu caráter ali, como eu enxergo a criança e como eu acho que devo lidar com elas (outra coisa que preciso falar algum dia, pois me incomoda muito as pessoas que não prestam atenção naquele que fica com os filhos delas na maior parte da semana). Eu apanhei um bocado ano passado, nunca chorei, nunca duvidei, nunca me arrependi. Mas quando eles choravam, meus olhos enchiam de lágrimas, quando eles aprendiam a ler, vinha um nó na minha garganta: nós fizemos isso juntos!
      Esse primeiro ano foi de grande aprendizagem. E eu já comecei o segundo ano fazendo várias coisas diferentes, minha didática ficou mais organizada. Não está ainda 100%, mas isso é um processo. 
     Durante as férias eu fiquei refletindo sobre a nova turma que viria, me preparando para toda a agitação e pensando nas coisas que eu poderia fazer para melhorar. Achei que a turma seria como a de 2016, mas não é! Cada turma tem sua própria dinâmica, e agora estou mais uma vez num processo de adaptação. Acho a turma de 2017 bem mais calma; mas será que eles são calmos ou eu que mudei meu conceito de "agitado"?
      Ao fim de 2016 as pessoas me abordavam perguntando sobre as crianças e suas histórias e eu dizia "ah, eles nem estão mais falando aquelas coisas engraçadas...Eles cresceram, amadureceram..." E alguns me questionavam, argumentando que não tinha como eles ficarem diferentes em alguns meses. Mas tem sim. Para uma criança, 6 meses é a diferença entre estar na barriga e estar engatinhando, é a diferença entre o estômago só aceitar leite materno e começar a digerir comidas sólidas, é a diferença entre chorar e balbuciar as primeiras sílabas. O ser humano nasce incompleto, para uma criança 6 meses faz toda diferença. Não é a diferença entre ter 7 anos e completar 8, tem um monte de coisas acontecendo dentro e fora dela. E elas mudam um bocado! E eu mudei um bocado junto com elas.
     E 1 ano foi a diferença entre eu ser uma estudante de pedagogia e me tornar uma professora. 
     Esse texto todo foi só para pensar em todas as mudanças que nos cercam diariamente, que as vezes são bem sutis e mal percebemos. Foi também para pensar sobre a diferença entre o que se vê na faculdade e o que se faz na prática, e para dizer que não importa o quão discrepante seja, o que importa é como você utiliza as informações absorvidas. Você descarta ou você recicla? 
    A forma como utilizamos o que aprendemos é que vai moldando nossa maneira de lidar com o mundo. No meu caso meu mundo são as crianças. 
     Foi isso, entre outras coisas, que eu aprendi nesse meu primeiro ano.


Beijos e até a próxima :*
     
Aline Antunes - professora da #sala3
      
    

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O MENININHO COLÉRICO




Conheci um garotinho que pisava forte e estava sempre reclamando comigo, se sentia sempre injustiçado ainda que admitisse estar errado! Esse era o menininho colérico que todos os dias encontrava um motivo (ou vários!) para reclamar, não consigo nem lembrar seus muitos motivos, só lembro de um dia começar um projeto que envolvia a escrita de cartas, que poderiam ser endereçadas a mim ou aos colegas. O menininho colérico veio me dizer: "Vou fazer uma coleção de cartas suas".
E não é que ele me escreveu reclamações também?! Mas muitos elogios foram tecidos até de legal, a chata aqui, fui chamada.
Um belo dia, por causa de algumas discussões, avisei: "Quem quiser conversar me avise e vou tirar dois minutos exclusivos para essa conversa". Ele foi o primeiro. Me contou muitas dores do seu coraçãozinho de criança, chorou, falou que estava triste, explicou sua rotina e porque gostava de se demorar na escola. Depois disso uma criança nova renasceu.
Na aula seguinte, o menininho colérico não tinha nada para reclamar e nos dias que se seguiram estava tão calmo que todos notaram. Esse foi o efeito de uma única conversa. Ele ainda era a mesma criança, mas agora estava leve e não agressivo.
Quando penso nesse exemplo, imagino quantas vezes o estresse dele me deixava irritada, "por que ele não para? Acha que é o centro do universo e não posso dedicar o dia inteiro só para ele!". Diante de tudo o que me contou também penso na família que não o escutava. E agora só me resta pensar em quantas crianças precisam de ouvidos-amigos, afinal ser criança não torna a vida menos complexa.
Quem sabe não tem alguém aí esperando para ser ouvido?!
Enchanté 😗

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

MEU PRIMEIRO ANO DE FORMADA (E DESEMPREGADA)!

        Me formei no segundo semestre de 2015 cheia de sonhos e expectativas de encontrar uma escola que me contratasse e assim conseguir seguir a carreira dos meus sonhos (sim! Eu sempre quis ser professora). Durante o curso sempre ouvi de várias pessoas que pedagogia não era a sua primeira opção e sinceramente eu me perguntava quais os motivos que levavam tais pessoas a seguirem no curso...

     Dois mil e dezesseis foi um ano de total frustração na minha vida, inclusive no âmbito profissional, foram vários currículos mandados, várias esperas por ligações, vários nãos e alguns talvez. Sinceramente me senti um lixo, comecei a achar que o problema estava em mim. Eu deveria ser péssima profissional, afinal eu tinha acabado de me formar e não tinha tanta experiencia assim. Além do mais, as pessoas estão com uma mania de te transformar em papel, geralmente me davam uma prova, um plano de aula pra fazer e anexavam ao meu currículo junto com outros mil concorrentes, qual a minha real possibilidade de ser chamada em uma dessas escolas?

        Durante essa procura sem fim eu fui ficando muito triste, primeiro porque eu não aguentava mais ficar em casa, olhando pro teto, sou daquelas que gosto de ter uma utilidade no mundo. Segundo, porque quase todas as pessoas ficavam dizendo pra eu procurar emprego em outra área e por muitas vezes procurei, mas ouvir aquilo era muito frustrante, era a confirmação do quanto eu era incapaz de realizar a atividade da qual estudei anos para realizar.

       Mas calma! No final tudo deu certo, fiz uma entrevista em uma escola particular no meu município e não me transformaram em um papel, creio que isso tenha sido fundamental. Numa conversa olho no olho com a diretora da escola, fui relembrando que eu era capaz, me senti muito segura durante a entrevista, me reencontrei. Consegui o emprego, estou como auxiliar de uma turma o que me faz acordar feliz todos os dias as seis da manhã, a cada dia me redescubro, me fortaleço na profissão, crio laços lindos com os alunos o que pra mim tem sido maravilhoso. As vezes as situações nos deixam muito infelizes, foi o meu caso em 2016 todas as coisas que aconteceram comigo me deixavam cada dia mais pra baixo e com muito medo de tudo dar errado no final... E de certa forma isso me fortaleceu, pois por mais que o mundo me negasse as oportunidades eu nunca parei de acreditar e no fim tudo valeu muito a pena, hoje estar na escola desenvolvendo um trabalho tem um significado muito maior pra mim. Então se algo começar a dar errado na sua vida, não se pressione muito. Apenas faça a sua parte pra conseguir alcançar eu objetivo, mas de maneira nenhuma ache que o problema está em você, faça o seu melhor sempre que a recompensa chegará.