Conheci um garotinho que pisava forte e estava sempre reclamando comigo, se sentia sempre injustiçado ainda que admitisse estar errado! Esse era o menininho colérico que todos os dias encontrava um motivo (ou vários!) para reclamar, não consigo nem lembrar seus muitos motivos, só lembro de um dia começar um projeto que envolvia a escrita de cartas, que poderiam ser endereçadas a mim ou aos colegas. O menininho colérico veio me dizer: "Vou fazer uma coleção de cartas suas".
E não é que ele me escreveu reclamações também?! Mas muitos elogios foram tecidos até de legal, a chata aqui, fui chamada.
Um belo dia, por causa de algumas discussões, avisei: "Quem quiser conversar me avise e vou tirar dois minutos exclusivos para essa conversa". Ele foi o primeiro. Me contou muitas dores do seu coraçãozinho de criança, chorou, falou que estava triste, explicou sua rotina e porque gostava de se demorar na escola. Depois disso uma criança nova renasceu.
Na aula seguinte, o menininho colérico não tinha nada para reclamar e nos dias que se seguiram estava tão calmo que todos notaram. Esse foi o efeito de uma única conversa. Ele ainda era a mesma criança, mas agora estava leve e não agressivo.
Quando penso nesse exemplo, imagino quantas vezes o estresse dele me deixava irritada, "por que ele não para? Acha que é o centro do universo e não posso dedicar o dia inteiro só para ele!". Diante de tudo o que me contou também penso na família que não o escutava. E agora só me resta pensar em quantas crianças precisam de ouvidos-amigos, afinal ser criança não torna a vida menos complexa.
Quem sabe não tem alguém aí esperando para ser ouvido?!
Enchanté 

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