domingo, 12 de março de 2017

Qual vai ser a sua decoração?


               
                     Primeiros meses como formada e depois da habitual entrega de inúmeros currículos e depois de todo processo de seleção é chegada a hora, o grande momento depois de quatro anos estudando teóricos, métodos, estudiosos e é chegado o momento: tenho a minha primeira turma, minha primeira chance de mostrar meu desempenho como professora e com ela um desafio em particular que estou superando aos poucos.
                Se eu achava que a seleção para entrar na escola tinha sido complicada não foi nada comparada à minha primeira semana pedagógica, escolha de horários, de turma, de sala; se eu achava que tudo isso era muita coisa, estava enganada, o pior ainda estava por vir. Depois de ser designada para a turma do nível quatro da educação infantil, pensei “ok ,vai da certo”, sei o que tenho de trabalhar.  E volto no terceiro dia da semana pedagógica toda empolgada com meu planejamento, minhas ideias, naquela animação, ai que é chegado o momento que a faculdade e todos os seminários, palestras, oficinas que eu participei não me prepararam, e começou com uma simples frase “qual vai ser a sua decoração da sala?”, ai eu parei e pensei, “ho! meu Deus e agora ?”.
                Mesmo com certa dificuldade pensei fundo do mar, toda criança gosta ,e fazer um peixe covenhamos que é mais fácil do que fazer uma princesa, que foi escolhida por outra professora que resolveu mostrar toda habilidade dela adquirida nos anos de profissão ou doada por intervenção divina,  fazer a sala dela de contos de fadas.
                Cheguei toda tímida com alguns peixinhos de cartolina no outro dia para colar na parede, e já me deparo com as outras professoras e suas sacolas cheias de coisas  para a decoração. Quando estava pronta para colocar algumas das coisas que tinha feito,  a coordenadora pedagógica olha para o meu singelo peixe e fala “tem que ser de EVA “,  aí sim começou meu maior desafio: trabalhar com esse EVA. Não sei em que curso as professoras aprenderam a fazer isso, mas  achei a coisa mais complicada e difícil de se trabalhar,  é difícil de cortar, manter o formato, de colar, de  moldar, de tudo! Sem falar que parece ter uma competição interna dentro da escola onde as professoras mostram quem consegue fazer coisas mais incríveis com esse material, pois, enquanto eu chegava,  depois de muito trabalho com um peixe de Eva, vinha outra professora que fazia uma sereia, com escama e tudo; enquanto chegava com algas marinhas,  tinha outra que fazia um castelo, a branca de neve e os sete anões. Gente do céu  como foi difícil  adequar a  bendita decoração  toda em EVA, fazer placa de boas vindas, chamada, calendário,   os bichinhos  e caixa de leitura. E se eu estava achando que ia acabar por aí,  estava enganada: tinha as lembranças da turma  do primeiro dia, da primeira semana... Que também eram pra ser em EVA; e eu me pergunto "porque a escola gosta tanto de EVA?". Acaba que tem sala que a professora, dotada dessas incríveis habilidades de se trabalhar com EVA, coloca tanto dele na sala que os alunos ficam protegidos caso batam alguma parte do corpo na parede, uma vez que ela já vai estar toda acolchoada.

                 Mas bem, com o tempo vem a sabedoria e eu aprendi uma coisa mágica chamada “MOLDE”, que apesar  de ainda não saber fazer o castelo, a branca de neve e os sete anões, agora já faço uma casinha bem arrumadinha, e  agora no meu segundo ano na escola já  estou bem mais desenvolvida nas habilidades com o trabalho em EVA; ainda acho complicado e não entendo  por que se trabalha tanto com ele, mas estou melhorando. 


Eva

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