Com intuito de incentivar a leitura das crianças, comecei um projeto chamado "sacola de leitura". Não foi inventado por mim, é bem comum e conhecido por diversos nomes como "leitura em família" ou "mala de leitura". Consiste em enviar para casa um livro e um caderno, onde deverá ser feito o registro do livro lido.
Minha turma tem se mostrado bem interessada, ficam ansiosos esperando o dia em que serão contemplados, e participam ativamente da conversa sobre o livro no dia seguinte.
É sobre uma dessas conversas que irei falar agora.
Eu deixo que eles escolham o livro da nossa caixa, e a última escolha foi do livro OS INVISÍVEIS de Tino Freitas; eu estava torcendo que ninguém escolhesse esse livro... Mas ele foi... É um livro muito bonito, que conta a história de um menino que nasce com o superpoder de ver pessoas invisíveis, e que isso acontece em todo lugar que ele vai, e que algumas vezes ele mesmo se sente invisível... Até que ele cresce, faz faculdade, casa... E perde o poder.
Contar a história em si já não foi fácil, uma vez que ela me deixa emocionada, mas discutir com eles foi foi a pior parte...
Primeiro conversamos sobre quem são as pessoas invisíveis, e eles me disseram que são as pessoas que estão na rua (no sentido de fora de casa); na história o menino cresce e deixa de ver essas pessoas, e eles me disseram que isso não vai acontecer. Mas quantas vezes passamos por invisíveis no nosso dia? Viramos o rosto, fingimos que não é da nossa conta? Ou tratamos mal aquela pessoa que nos atende no restaurante?
Depois perguntei, se assim como o menino, eles já se sentiram invisíveis alguma vez. A maioria levantou o braço. Foi nessa hora que eu precisei ser forte para ouvir, naquelas vozinhas infantis:
"minha mãe mora longe, ela não quer ficar comigo."
"eu não vejo meu pai e minha mãe há muito tempo."
"me senti invisível quando minha tia olhou para trás e não me viu."
"minha mãe não me escuta."
"minha mãe me deixa sozinha... As vezes meu pai também."
"eu vou para casa da minha avó, mas ela nem presta atenção em mim."
Deu para notar a constância nas falas? A família é a parte mais importante na vida de uma criança. Não importa se você gasta todo o dinheiro do mundo em presentes e coisas caras, não importa colocar a criança na escolinha de balé, natação e bla bla bla... O TEMPO é única coisa que realmente importa para a criança, e doeu ouvir o que eles tinham para dizer, se como adulta já me senti invisível tantas vezes, imagino aquelas crianças, querendo apenas um momento, um olhar, um abraço... E era por esse motivo que eu não queria que esse livro fosse escolhido, mas muitas vezes no meu dia a dia preciso lidar com sentimentos que nem eu mesmo superei, e esse foi um desses momentos. Mas cada dia sigo aprendendo e ensinando...
E no dia de hoje aprendi que esse projeto vai além do incentivo à leitura, talvez seja um incentivo a doar um tempo, que é o melhor presente que uma criança pode ganhar.
Minha turma tem se mostrado bem interessada, ficam ansiosos esperando o dia em que serão contemplados, e participam ativamente da conversa sobre o livro no dia seguinte.
É sobre uma dessas conversas que irei falar agora.
Eu deixo que eles escolham o livro da nossa caixa, e a última escolha foi do livro OS INVISÍVEIS de Tino Freitas; eu estava torcendo que ninguém escolhesse esse livro... Mas ele foi... É um livro muito bonito, que conta a história de um menino que nasce com o superpoder de ver pessoas invisíveis, e que isso acontece em todo lugar que ele vai, e que algumas vezes ele mesmo se sente invisível... Até que ele cresce, faz faculdade, casa... E perde o poder.
Contar a história em si já não foi fácil, uma vez que ela me deixa emocionada, mas discutir com eles foi foi a pior parte...
Primeiro conversamos sobre quem são as pessoas invisíveis, e eles me disseram que são as pessoas que estão na rua (no sentido de fora de casa); na história o menino cresce e deixa de ver essas pessoas, e eles me disseram que isso não vai acontecer. Mas quantas vezes passamos por invisíveis no nosso dia? Viramos o rosto, fingimos que não é da nossa conta? Ou tratamos mal aquela pessoa que nos atende no restaurante?
Depois perguntei, se assim como o menino, eles já se sentiram invisíveis alguma vez. A maioria levantou o braço. Foi nessa hora que eu precisei ser forte para ouvir, naquelas vozinhas infantis:
"minha mãe mora longe, ela não quer ficar comigo."
"eu não vejo meu pai e minha mãe há muito tempo."
"me senti invisível quando minha tia olhou para trás e não me viu."
"minha mãe não me escuta."
"minha mãe me deixa sozinha... As vezes meu pai também."
"eu vou para casa da minha avó, mas ela nem presta atenção em mim."
Deu para notar a constância nas falas? A família é a parte mais importante na vida de uma criança. Não importa se você gasta todo o dinheiro do mundo em presentes e coisas caras, não importa colocar a criança na escolinha de balé, natação e bla bla bla... O TEMPO é única coisa que realmente importa para a criança, e doeu ouvir o que eles tinham para dizer, se como adulta já me senti invisível tantas vezes, imagino aquelas crianças, querendo apenas um momento, um olhar, um abraço... E era por esse motivo que eu não queria que esse livro fosse escolhido, mas muitas vezes no meu dia a dia preciso lidar com sentimentos que nem eu mesmo superei, e esse foi um desses momentos. Mas cada dia sigo aprendendo e ensinando...
E no dia de hoje aprendi que esse projeto vai além do incentivo à leitura, talvez seja um incentivo a doar um tempo, que é o melhor presente que uma criança pode ganhar.

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