sábado, 9 de setembro de 2017

Ser professor


Em algum momento da minha vida, eu pensei que a peça de roupa que eu sentiria orgulho de estar desgastada seria a minha jaqueta de couro. Diante inúmeras viagens que eu realizaria com ela.
Na simplicidade do dia dia, lavando roupa à mão, eu me deparei com meu instrumento de trabalho, jaleco, ou bata, dependendo da região seu nome muda.
Nesse instante, me senti cega, até então, porque na simplicidade do dia dia, a “coisa” mais óbvia que eu sentiria orgulho de estar surrada, seria essa peça de roupa bordada PROFESSORA THAISE.
Eu quero falar da FELICIDADE que me causa de estar em meio aos “pequenos jovens”, aos adultos quando sou professora de adultos e aos idosos também.
Felicidade por ter me encontrado, assim como sei que muitos colegas se encontram ao estar diante 300 alunos num cursinho pré-vestibular, ou às 21h da noite ajudando uma senhorinha do EJA a aprender a ler, depois de um dia de trabalho exausto de ambos.
Daquele “lugar” que a gente vai quando sabe que conseguiu algo de tão bom naquele dia, é que pode ser que nem fique tão evidente, em palavras ou gestos, mas a gente sente!
Aquele calor no coração, que te deixa com a sensação de estar fazendo seu melhor EM LIBERDADE.
Atualmente eu tenho a oportunidade de ver o resultado do aprendizado de técnicas e a vontade de querer fazer as coisas, despertada nas crianças, devido ao trabalho em campo que elas realizam. Quando elas tem as ferramentas disponíveis e tempo para poder criar coisas incrivelmente simples.
De poder contar a história de vida de Isacc Newton lentamente ou um dos causos do livro do homem que calculava, a fim de despertar o interesse de um aluno por determinado assunto. Que pode ser até, uma tentativa minha de ajudá-lo a superar uma dificuldade.
De não ter o controle o tempo todo de como essa minha ação irá reverberar neles e nem sermos cobrados intempestivamente por isso o tempo todo.
De poder juntar o 1º ano e o 7º ano, numa vivência com o fogão a lenha, na época de química, e poder tomar um chá de hortelã com camomila feito na hora, ervas vindas do jardim que eles próprios cuidam. De passar a tarde, parafusando a parede para pendurar os trabalhos da classe, aprendendo e pensando junto com um grande mestre aluno a utilizar as ferramentas!
Eu me alimento disso, crio forças para querer ir em frente. Esse vínculo lá no fundo que a “pedagogia” do fazer pode proporcionar, é o que eu quero para mim e para a minha vida!
Desejo ter muitos e muitos jalecos ou bata surrados pela vida (não vejam por favor que eles merecem ser trocados ou costurados ok!).
Sempre foi como desde o meu primeiro dia em sala de aula em 2009, todos os momentos que eu estive com eles, aquele calor no coração que quem é professor sabe do que eu estou falando! Aquele que te move, te inspira e transborda!

(Texto por Thaise Roth) 

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